Existe uma expectativa comum de que exista um curativo bom, que serve para tudo. Não existe. A cobertura certa é a que responde ao que aquela ferida está precisando naquela fase — e a mesma ferida vai precisar de coberturas diferentes ao longo do tratamento.
Antes de escolher, três perguntas
- Quanta secreção essa ferida produz?
- O leito está limpo ou tem tecido morto?
- Há sinal de carga bacteriana alta?
A resposta a essas três perguntas elimina a maior parte das opções e deixa poucas candidatas. Só depois se pensa em marca ou produto.
As principais famílias
Alginato de cálcio
Feito de algas. Absorve bastante secreção e forma um gel em contato com o exsudato. Indicado em feridas com drenagem moderada a alta. Em ferida seca, não serve — vai ressecar ainda mais.
Hidrogel
O oposto do alginato: doa umidade. Usado em ferida seca ou com tecido morto que precisa ser amolecido para sair. Em ferida muito exsudativa, atrapalha.
Hidrocoloide
Forma um gel ao reagir com o exsudato e mantém o meio úmido. Serve em feridas superficiais com pouca a moderada secreção. Costuma gerar um gel amarelado com odor que assusta, mas é esperado.
Espuma de poliuretano
Absorve bem, protege contra impacto e é confortável. Muito usada como cobertura secundária e em áreas de pressão.
Carvão ativado
Sua função principal é controlar odor. Frequentemente vem associado a prata.
Coberturas com prata
Usadas no controle de carga bacteriana, não como substituto de antibiótico. Não devem ser usadas indefinidamente — têm tempo de uso definido dentro do protocolo.
Coberturas não aderentes
Camada de contato que evita que o curativo grude no leito. Resolve o problema mais comum de quem troca curativo em casa.
O erro mais comum
Manter a mesma cobertura do começo ao fim. A ferida muda: começa exsudativa e com tecido morto, depois fica limpa e granulando, depois epiteliza. Cada fase pede algo diferente. Cobertura que não muda é um dos motivos de feridas que param de evoluir.
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