Acontece com quase todo mundo que faz curativo em casa. A gaze secou junto com a ferida e agora está colada. A vontade é puxar de uma vez, como se fosse esparadrapo. É exatamente o que não se deve fazer.
Por que puxar é ruim
Quando a gaze seca sobre o leito da ferida, ela adere ao tecido novo que estava se formando. Puxar arranca esse tecido junto. Além da dor e do sangramento, a ferida volta alguns dias no processo — o tecido que levou uma semana para crescer sai em dois segundos.
O passo a passo correto
- Separe soro fisiológico em quantidade generosa. Um frasco inteiro, se precisar.
- Encharque a gaze aderida. Não umedeça: encharque mesmo, até a gaze ficar visivelmente molhada.
- Espere. De cinco a dez minutos, sem mexer. Esse é o passo que as pessoas pulam e é o que resolve.
- Molhe de novo se secar. Em ferida grande, vale ir aplicando soro aos poucos durante a espera.
- Solte devagar, começando pelas bordas, na direção paralela à pele — nunca puxando para cima.
- Se resistir, pare e encharque mais. Gaze que ainda resiste é gaze que ainda está aderida.
Como evitar que aconteça de novo
Gaze seca em contato direto com o leito da ferida é a causa. Existem coberturas primárias feitas justamente para não aderir — e a escolha depende da fase da ferida e da quantidade de secreção.
Esse é um dos ajustes mais simples que a avaliação especializada faz, e um dos que mais mudam a experiência de quem troca o curativo em casa. Muita gente convive por meses com trocas doloridas que não precisavam ser doloridas.
Um sinal para prestar atenção
Se a gaze está secando e grudando toda vez, geralmente uma de duas coisas está acontecendo: a cobertura escolhida não é adequada para essa ferida, ou o intervalo entre as trocas está longo demais. Vale levar essa informação para a consulta — ela ajuda a ajustar o protocolo.
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