A ferida do pé diabético quase nunca surge do nada. Ela costuma ser o fim de uma sequência que começou semanas antes — e essa sequência dá sinais para quem sabe onde olhar.
O que vem antes
1. A sensibilidade muda
Formigamento, dormência, sensação de agulhadas ou de queimação, principalmente à noite. Alguns pacientes descrevem como se estivessem pisando em algodão. Quando a sensibilidade cai, o pé deixa de avisar sobre atrito e pressão.
2. A pele muda
Pele muito seca, com rachaduras, especialmente no calcanhar. Diminuição da transpiração no pé. Pelos que somem no dorso do pé e nos dedos.
3. A forma do pé muda
Dedos em garra, proeminências ósseas mais evidentes, arco do pé alterado. Essas mudanças criam novos pontos de apoio — e é neles que o calo aparece.
4. O calo aparece
Esse é o sinal mais subestimado de todos. Calo em pé diabético não é estético: é o registro de onde a pressão está se concentrando. Debaixo de um calo espesso, a lesão pode estar se formando sem aparecer.
5. A temperatura e a cor mudam
Pé mais frio que o outro, palidez ao elevar a perna, avermelhamento ao deixar pendente. São sinais de que a circulação merece avaliação.
Cuidados diários que fazem diferença
- Seque bem entre os dedos depois do banho
- Hidrate o pé todos os dias, evitando a região entre os dedos
- Corte a unha reta, sem cavar os cantos
- Nunca ande descalço, nem dentro de casa
- Confira o interior do sapato com a mão antes de calçar
- Teste a temperatura da água com a mão ou o cotovelo, nunca com o pé
- Não use lixa, lâmina ou calicida por conta própria
Quando procurar avaliação
Qualquer ferida, bolha, rachadura profunda, calo que mudou de cor, unha encravada com secreção ou área avermelhada e quente merece avaliação no mesmo dia. No pé diabético, o intervalo entre uma lesão pequena e uma lesão grave costuma ser medido em dias.
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